Análise e orientações
Um canal de WhatsApp com 3,8 milhões de membros saiu do ar por ordem do presidente do TSE. Voltou no mesmo dia por decisão do corregedor e caiu de novo dois dias depois.
Esqueça de que lado você vota. Para quem vende imóvel, a lição é outra: se um canal com milhões de pessoas pode sumir em 24 horas, a sua lista de transmissão também pode.
O que mudou e o impacto no mercado
Segundo o Diário de Notícias (publicado pelo SAPO), o WhatsApp tomou de comícios e debates o posto de principal palco da eleição brasileira.
De um lado está o Exército de Lula, criado pelo deputado André Janones, com 3,8 milhões de membros em 12 de outubro.
Do outro, a Tropa do Flávio, canal da campanha do senador Flávio Bolsonaro, com 1,4 milhão de inscritos na mesma data.
O Exército quer mobilizar apoiadores e combater a abstenção, que chegou a 21% no primeiro turno (33,4 milhões de eleitores).
A Tropa difunde conteúdo de campanha e reage às mensagens do grupo rival.
A resolução 23.610/2019 do TSE permite grupos e canais de apoiadores.
O que ela proíbe é o disparo em massa, o envio sem consentimento de quem recebe e o uso de ferramentas que desrespeitam as regras da plataforma.
Daí veio a sequência de decisões judiciais. O canal foi suspenso, restabelecido e suspenso de novo, desta vez até ser formalmente registrado no TSE.
A briga já vinha de antes. Até 4 de outubro, as duas campanhas tinham apresentado 470 ações uma contra a outra.
Exército de Lula reúne mais que o dobro de membros da Tropa do Flávio
Número de membros/inscritos nos canais de WhatsApp das campanhas em 12 de outubro de 2026, segundo o Diário de Notícias
A matemática do corretor
O corretor brasileiro também opera no WhatsApp como se fosse dono da plataforma. Não é.
A carteira inteira mora em um único número. Os imóveis saem em listas de transmissão para quem nunca pediu, e o histórico de conversa é o único CRM que existe.
“Quem constrói a operação em terreno alugado aceita que o dono do terreno decida quando ela acaba.”
Para dimensionar o risco, pense num exemplo hipotético (os números abaixo não são da matéria).
Um corretor tem 2.000 contatos no WhatsApp, construídos em três anos de plantão, portal e indicação. Se só 1% dessa base gerar uma venda por ano, são 20 negócios em jogo.
Agora esse número é banido por excesso de denúncias de spam.
Sem a base exportada para um CRM, esses 20 negócios hipotéticos viram zero da noite para o dia.
Ainda tem a saturação. Durante a eleição, o celular do seu cliente fica inundado de conteúdo político vindo de grupos com milhões de pessoas.
Sua mensagem fria de “lançamento imperdível” disputa espaço com isso e perde.
Quem vai lucrar nesse cenário:
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Base com consentimento: quem tem contatos que pediram para receber ofertas sofre menos denúncia e mantém o número saudável.
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Dados fora do celular: quem registra cada lead no CRM consegue migrar de número ou canal sem perder o histórico.
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Conversa 1 a 1: quem responde rápido e de forma personalizada se destaca no meio do ruído político.
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Neutralidade: quem não mistura opinião política com oferta de imóvel não queima metade da carteira por causa de um post.
Vai quebrar a cara o corretor que ainda acha que lista de transmissão é estratégia e que ninguém vai denunciar.
Plano de ação passo a passo
A campanha só voltou ao ar depois de registrar formalmente o canal.
Aplique a mesma lógica: formalize a sua operação antes que alguém faça isso por você.
- Exporte e organize sua base hoje: Tire os contatos do celular e coloque no CRM, com origem, imóvel de interesse e data do último contato.
Se você ainda não tem essa estrutura, comece entendendo como organizar seu funil de vendas.
- Registre o consentimento: Antes de colocar alguém em lista ou canal, pergunte se a pessoa quer receber ofertas. Anote a resposta no CRM.
Parece burocracia. Mas foi exatamente esse critério que separou o permitido do proibido na regra eleitoral.
- Separe canal de atendimento: Use um canal aberto para conteúdo útil (bairro, financiamento, bastidores de obra) e deixe a negociação no privado.
Quem entra no canal entrou porque quis. Isso protege o seu número principal.
- Ative a sua “abstenção”: O Exército existe para tirar eleitor do sofá. Sua base também tem abstenção: leads mornos que não respondem há meses.
Não dispare para todos.
Selecione no CRM quem demonstrou interesse real e mande uma mensagem individual, com um imóvel específico e uma pergunta direta.
- Automatize sem virar spam: Automação existe para responder em segundos quem chamou você. Usar a ferramenta para metralhar quem nunca pediu é o caminho mais curto para o banimento.
Veja como montar isso do jeito certo no guia de automação de atendimento no WhatsApp.
- Fique fora da guerra: Nada de figurinha, vídeo ou corrente política nos seus status e nas listas de clientes.
“Seu cliente pode votar em qualquer um. A comissão dele vale o mesmo dos dois lados.”
O corretor que trata o WhatsApp como canal com regra vai atravessar a eleição vendendo.
O que trata a plataforma como terra sem lei vai descobrir, do pior jeito, que alguém sempre pode apertar o botão de desligar.





