Análise e orientações
Pesquisa do Índice de Confiança do Mercado Imobiliário (Loft/Offerwise), divulgada em setembro de 2026, ouviu 1.400 pessoas em seis capitais brasileiras e trouxe um número que impacta diretamente o seu pipeline de vendas: 39% dos brasileiros defendem que o condomínio tenha autonomia para autorizar ou vetar aluguel por curta temporada (tipo Airbnb).
A divisão de opinião reflete a tensão que o STJ formalizou em maio de 2026, quando decidiu que condomínios residenciais podem proibir a prática mediante aprovação de dois terços dos condôminos em assembleia (REsp 2.121.055, Tema 1.443).
O Que Mudou e o Impacto Direto no Mercado
A decisão do STJ não proibiu o Airbnb no Brasil. O que fez foi transferir o poder de regulação para dentro do condomínio.
-
Convenções omissas não garantem mais permissão. Antes, o silêncio da convenção era interpretado como liberdade para locar. Agora, condomínios estritamente residenciais podem exigir deliberação formal.
-
Quórum de 2/3 para autorizar ou proibir. Qualquer mudança exige assembleia com maioria qualificada, o que torna a decisão mais previsível (e documentável).
-
Tema 1.443 suspendeu processos em todo o país. Até a fixação da tese definitiva, não haverá decisões conflitantes entre tribunais regionais. Isso dá segurança jurídica para quem compra e para quem vende.
O mercado de short-stay brasileiro cresceu 27% em novas listagens em 2026 (dados PriceLabs), com aumento de 16% nas noites reservadas.
Resultado: a rentabilidade do Airbnb ficou mais sensível à governança condominial do que nunca.
GESTÃO & VENDAS
Opinião Pública sobre Locação por Temporada em Prédios
Pesquisa nacional sobre regulação e permissão de plataformas de short stay
51%
DOMINANTE
A favor de regras internas definidas em assembleia
A favor da proibição total em prédios residenciais
A favor de liberação irrestrita sem exigência prévia
FONTE: DATAFOLHA / ABRAINC 2026
A Matemática do Corretor: Como Isso Mexe no Seu VGV
Se você vende imóveis para investidores (compactos, studios, 1 dormitório em regiões turísticas ou corporativas), essa pesquisa muda a conversa de captação de três formas:
1. Prêmio de convenção permissiva. Unidades em condomínios que já regulamentaram e aprovaram short-stay em assembleia passam a ter vantagem competitiva mensurável. Se a diária média na região é R$ 350 com ocupação de 70%, a receita mensal bruta fica em R$ 7.350. Compare com aluguel tradicional de R$ 2.800 para o mesmo studio. A diferença de R$ 4.550/mês justifica um ágio de 15% a 20% no preço de venda, que é comissão extra para você.
2. Segmentação de carteira. Imóveis em condomínios que vetaram ou provavelmente vetarão Airbnb devem ser posicionados para outro perfil: moradia, aluguel anual ou revenda. Misturar o argumento de rentabilidade short-stay com um prédio que caminha para a proibição destrói sua credibilidade e faz o negócio cair na fase de due diligence.
3. Captação ativa de incorporadoras. Incorporadoras que lançam empreendimentos com convenção já aprovando short-stay desde a constituição do condomínio (antes mesmo da entrega das chaves) criam um diferencial de atração de investidores imobiliários que poucos concorrentes exploram. Se você assessora incorporadoras, esse é o momento de sugerir a inclusão dessa cláusula no material de venda.
Plano de Ação: O Que Aplicar Hoje- 🎯 Audite sua carteira em 48 horas: Abra o CRM e classifique cada imóvel ativo em três categorias:
-
Verde: convenção já permite short-stay (ou o condomínio é comercial/misto com regulamento favorável).
-
Amarelo: convenção omissa, sem assembleia realizada.
-
Vermelho: convenção proíbe ou assembleia já vetou.
Imóveis verdes recebem prioridade na oferta para investidores. Imóveis amarelos precisam de investigação (ligue para o síndico, peça ata da última assembleia).
- Ajuste o script de WhatsApp: Para leads de investimento, inclua o dado da pesquisa como gatilho de urgência. Exemplo de mensagem:
“Boa tarde, [Nome]. Saiu pesquisa da Loft esta semana: 39% dos brasileiros querem que o condomínio decida sobre Airbnb, e o STJ já autorizou assembleias a proibir. Estou com 3 unidades em prédios que JÁ aprovaram short-stay na convenção. Isso protege a rentabilidade do seu investimento. Posso te mostrar a projeção de receita?”
Esse tipo de abordagem baseada em dados converte melhor do que o genérico “tenho uma oportunidade imperdível”.
-
Crie conteúdo de autoridade no Instagram: Publique um carrossel ou Reels com o tema “O condomínio pode proibir Airbnb?” usando os dados da pesquisa. O formato que mais gera salvamentos:
-
Slide 1: dado chave (39% dos brasileiros defendem regulação)
-
Slide 2: o que o STJ decidiu (quórum de 2/3)
-
Slide 3: o que muda para quem compra para investir
-
Slide 4: CTA para agendar consultoria de investimento com você
Isso posiciona você como especialista no tema e atrai exatamente o lead qualificado que pesquisa antes de comprar.
- Organize seu funil por tipo de investidor: Separe no CRM os leads entre “investidor de renda por temporada” e “investidor de valorização/aluguel anual”. O primeiro precisa de imóvel com convenção verde.
Enviar a oferta errada para o perfil errado é a forma mais rápida de perder um fechamento.





